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segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

Um novo despertar

Assim como o despertar do homem (ainda macaco) no clássico "2001, uma Odisséia no Espaço", desejo que cada um de nós tenhamos um novo amanhecer e novos horizontes que nos propiciem oportunidades de sermos ao menos, melhores do que somos.

Feliz 2008!

domingo, 30 de dezembro de 2007

Razão e ?

Última Filosofia de Botequim do ano!

Aos Sete sábios da Grécia eram atribuídas grande quantidade de máximas e preceitos - sentenças proverbiais -, por todos conhecidas. Algumas eram tão famosas que foram inscritas no templo de Apolo em Delfos. A lista mais difundida, do tempo de Platão, é a seguinte: Tales de Mileto, Periandro de Corinto, Pítaco de Mitilene, Brias de Priene, Cleóbulo de Lindos, Sólon de Atenas e Quílon de Esparta.

Quando um dia perguntaram a Tales de Mileto o que era difícil, ele respondeu: “Conhecer a si próprio”. Quando lhe perguntaram o que era fácil, ele respondeu: “Dar conselhos”.

Portanto, ao invés da razão e proporção, sugeridas no Teorema de (do próprio) Tales (alguém lembra disso em geometria?), proponho razão e sensibilidade, esse mesmo, o da Jane Austen!

Ao contrário do que dizem por aí, não acho que este seja um romance de "intrigas domésticas" ou sobre "uma irmã racional e outra sentimental" (que tem inclusive sido usado como justificativa do título). Pelo contrário, é uma pergunta sempre relevante: será que o que parece útil a curto prazo vale a pena a longo prazo? Os "bobos" que seguem seus sentimentos podem no final ter melhores resultados e que a virtude ainda é necessária. Pelo menos é o que a Jane Austen parece ter me dito. ;-)

sábado, 29 de dezembro de 2007

E vinte e nove anjos me saudaram

Dia 29 e eu completando 29 anos de vida. Bem vividos? Talvez. Mas tenho uma estranha impressão de que estou aprendendo a viver agora.

Digo isto pois tenho alimentado meus sonhos. Quando escuto uma música legal, canto e danço, mesmo que sozinha, sem medo de perder o controle. Grito. Tento espalhar alegria.
Procuro lembrar-me de que sou privilegiada. Nem todos têm as mesmas oportunidades, agradeço pelas que tive e terei com a certeza de que darei o meu melhor.


Percebi que as coisas mais importantes são aquelas que não posso ver. Ou as que estando bem à minha frente, eu tenha dificuldade para enxergar. Porque dizem que aí mora a graça da vida.

Recuso a me definir de pré-balzaquiana. Quem Balzac pensa que é pra dizer meu padrão de comportamento daqui um ano em diante? Ele nasceu no século XVII e eu não confio num cara que sempre foi preterido pela mãe e o pai era um administrador de hospício!

Feliz aniversário pra mim!


"Perdi vinte em vinte e nove amizades
Por conta de uma pedra em minhas mãos
Embriaguei morrendo vinte e nove vezes
Estou aprendendo a viver sem você
Já que você não me quer mais
passei vinte e nove meses num navio
E vinte e nove dias na prisão
E aos vinte e nove com o retorno de Saturno
Decidi começar a viver
Quando você deixou de me amar
Aprendi a perdoar e a pedir perdão
E vinte e nove anjos nos saudaram
E tive vinte e nove amigos outra vez"

(Vinte e Nove, Renato Russo)

domingo, 23 de dezembro de 2007

And to all a good night!

Natal é:

  • Velho barbudo com roupa inapropriada para um clima tropical
  • Correria e confusão nas ruas pela busca de um presente
  • Desejar “feliz Natal” é tão banal como um “bom dia”
  • Pisca-piscas colocados de forma desordenada, fazendo os apartamentos parecerem naves espaciais
  • Um grupo megalomaníaco montar uma árvore horrorosa, estragando o visual da Lagoa e só atrapalhando o já confuso trânsito
Eu só queria que o Natal fosse:
  • Uma época de querer estar com quem gostamos
  • Que um presente fosse dado não pela data, mas porque queremos agradar alguém
  • Que não houvesse “velhinhos pedófilos” espalhados pelas cidades
  • Mas principalmente, que não fosse só no dia 25 de dezembro. Para que os “bom dia”, a gentileza, a delicadeza, a lembrança e o carinho perdurasse pelos outros 364 dias do ano
Desejo a vocês um Natal de verdade, do jeitinho que eu gostaria para mim.
Beijos

sábado, 15 de dezembro de 2007

Último Rock Bola do Ano




Com os troféus integrantes da comunidade!

domingo, 9 de dezembro de 2007

A medida da paciência

Todos nós esperamos por alguma coisa. E sempre ouvimos para nunca esquecermos de termos paciência.

Paciência é algo difícil, sabe? Mas quando algo significa muito para você, seja para reestabelecer algo de seu passado ou começar o seu futuro, paciência é fundamental. Mais do que paciência: fé, que é algo que provas não se fazem necessárias. E aí vem a questão: o que em sua vida vale realmente à pena esperar?


Eu costumo dizer que preciso de uns sinais, mesmo que ocasionais, pra continuar mantendo a fé. Qualquer sinal. Mesmo que seja criado pela minha imaginação. Algo que mantenha a chama acesa, que me aqueça, que faça meus olhos continuarem a brilhar, apesar da incerteza continar a transparecer no fundo de tudo.

Dizem que paciência é uma virtude e como a maioria delas, nós nunca sabemos se a possuímos até sermos testados. E se passarmos desse teste, se pudermos esperar o bastante, provavelmente teremos uma recompensa, ainda maior do que esperávamos.

O engraçado e até irônico sobre a espera é que parece que quanto mais queremos algo, mais teremos que esperar. Paciência e fé x ansiosidade. Que quebra-de braço!

Eu ainda tenho fé, paciência, apesar da ansiedade. A seguir, cenas dos próximos capítulos.



"Mesmo quando tudo pede
Um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede
Um pouco mais de alma
A vida não pára..."

domingo, 2 de dezembro de 2007

Poxa!

Hoje estou oficialmente triste. Ficou comprovada a perda da minha camisa verdadeiramente retrô do Mengão. A que meu saudoso papai havia comprado pra assistir à final do Mundial Interclubes de 81.

A camisa já estava até meio poída, mas foi uma parte do legado que ele me deixou e tinha muita história!

Última vez que a vi: quando cheguei em casa, depois de ter visto jogo do Flamengo no Outback.

Eu posso comprar mil camisas, mas nenhuma chegará nem aos pés desta.

sábado, 1 de dezembro de 2007

Aposto na idiossincrasia

Filosofia de Botequim

Tio Nietzsche


Hoje foi dia de auto-análise. De vez em quando aproveito meus momentos de prostração pra pensar sobre tudo que tá girando ao meu redor. Faço algumas considerações, às vezes chego à algumas conclusões que certas ou erradas, me ajudam a direcionar meus próximos passos.

Conclusão de hoje? É hora de quebrar antigos padrões. Levar a tal da idiossincrasia que Nietzsche tanto defendeu em seu livro "O Anticristo" realmente à sério e fazer diferente, ser realmente idiossincrática.

Ao longo de toda uma existência temos de enfrentar testes e obstáculos antes de evoluirmos e conseguirmos seguir em frente. É assim para aprendermos a andar, para passarmos na escola e na faculdade e, mais tarde, para evoluirmos no trabalho. E nos temas da nossa vida que nos são mais difíceis, tivéssemos de fazer várias
vezes o exame antes de estarmos aptos a passar à etapa seguinte. Os testes não vêm em papel, nem são escritos a caneta. Vêm em forma de pessoas ou situações que nos obrigam a utilizar os sentimentos, a razão e as emoções. Em suma, que nos obrigam a mergulhar, muitas vezes, até ao fundo do poço.

Está mais do que na hora de buscar o que quero pra mim versus o mesmo tipo de situação que eu acabo me metendo. Hoje, perdida nos meus pensamentos, um clarão me apresentou um cenário que me deu uma verdadeira sacodida. Ainda bem!

Não que eu siga minhas conclusões à risca (muito pelo contrário, atualmente, se eu fosse um brinquedo seria a "faz merdinha da Estrela"). Mas se o próprio Nietzsche disse que Deus estava morto, e por ironia, morreu pensando que era Deus, eu, que no máximo faço filosofia de botequim, tenho toda liberdade pra cometer meus próprios deslizes!

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

Pensamentos de antes de dormir

Acordei querendo ser jovem outra vez. Eu, que nasci de trás pra frente, retorno a partir de agora a menor idade e passo a atender pelo número 22.

Por um instante - já, tive, pela primeira vez, o 'recuerdo' de um passado muito mais remoto no espaço do que no tempo propriamente dito – afinal não sou velha e tampouco viva a contar minhas histórias em caráter souvenir.

O que trago de volta é a nostalgia de uma época de irresponsabilidade assumida, raciocínios unilaterais, discursos ardidos e romantismo de centro acadêmico. Um certo 'je ne sais quoi' esquecido no rito de passagem do jeans surrado para o crachá.

Veio de novo a vontade de mudar o mundo como naquela tarde de trote e cerveja no antigo Pardal (em São Domingos).

E ontem, antes de dormir, senti muitas saudades de mim. Mas o mundo mudou. Pelo menos o meu. E o seu, acredito.




Nada será mais como antes.


E quer saber? Ainda bem!

domingo, 25 de novembro de 2007

O "ser ou não ser" dos novos tempos

Da série: filosofias de botequim

Dar no primeiro encontro ou não dar: eis a questão! Calma seu Shakespeare! Imagino que pra escrever "Hamlet", o senhor deve ter tido um trabalhão, mas deixe-me explicar antes de dar um duplo twist carpado no caixão.

A perguntinha que lancei acima deve atormentar mais da metade das mulheres solteiras, por mais liberais que possam alardear ser. Não sei se isso é confortante, mas eu cheguei à uma conclusão que pode lhes fazer pelo menos parar de gastar tempo pensando nisso e criar rugas desnecessárias.

O negócio é o seguinte: o fato de dar ou não no primeiro encontro não vai fazer o cara valorizar você mais ou menos. Também não vai garantir que ele ligue no dia seguinte. Resumo da ópera, a escolha é sua, colega! Ou não dá e se sente bem com sua consciência, ou dá e pelo menos, se ele não ligar, você aproveitou!

"Ú" doce não a levará ao altar, viu? Então, o importante é sempre só fazer o que estiver com vontade, sem se preocupar muito com o que vão pensar de você. Até porque, vão pensar de qualquer jeito (isso é assunto pra outro post filosófico).

Filosofia de Botequim

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

Morte à Pollyanna

Que diabos é essa tal Pollyanna? É aquela chata, dos livrinhos de banca de jornal, que era ultra-otimista e sempre que achava que ía ficar triste, jogava o "jogo do contente". Mas declaro aqui e agora um assassinato sumário desse personagem, um ode ao otimismo irracional, no qual tudo é lindo e perfeito só porque se quer.

Não! Nem tudo é lindo, perfeito. Por mais que se limpe, sempre se acha aquela poeirinha no canto que não quer sair, um lado da casa que tem alguma infiltração, um lado obscuro de alguma pessoa. Por isso, nada é mais hipócrita do que quando se sabe que vai receber alguma visita, sair arrumando a casa de forma ensandecida, tentando disfarçar a sua realidade. Vale aqui uma analogia com as pessoas. Não há a possibiidade de fingir ser quem não é pra causar boa impressão. Uma hora, poeira que você jogou pra debaixo do tapete vem à tona.

O porquê desse texto duro e afiado? Porque estou farta de "amigos de ocasião". Entendo perfeitamente que agendas e o cotidiano cruel que nossa sociedade nos impõe acaba afastando mesmo as pessoas. Mas isso não acaba com amizade, com relacionamento. A não ser, obviamente, se tal amizade, tal relacionamento é por conveniência, ou, como já citei: ocasião.

Nada contra a existência da conveniência. Desde que esta seja de comum acordo e ninguém seja iludido nessa brincadeira. Se não há a intenção de ter intimidade ou encontrar mais uma vez, pra que dizer que o quer? Pra que e mostrar tão perfeito? Pra depois fugir, arrumar desculpas esfarrapadas e ficar com cara de "tela azul"?

Ah, me poupe! Cansei! Ou melhor, me cansaram! A idiota aqui acreditava que todo mundo era bom, todos tinham boas intenções e pior: que gostavam de mim. Só que como qualquer idiota, tem que tomar na cabeça pra aprender e não repetir o erro. Hoje, continuo idiota (isso, não dá pra lutar contra, só se eu nascer de novo), mas pelo menos, estou aprendendo a encurtar a paciência com desculpas, a não oferecer o ombro tão facilmente, a diminuir o prazo do benefício da dúvida e a, principalmente, a não deixar de lado quem se alegra com a minha simples presença, sem eu precisar trazer uma banda e fogos de artifícios junto.

A Pollyanna aqui morreu. Hoje, quem tenta fazer de mim uma ocasião, ou tem que ser muito talentoso pra me ludibriar, ou vai ganhar um belo vácuo de presente!

Um beijo enorme pra meus amigos de verdade!

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Momento Chaplin

"Se tivesse acreditado na minha brincadeira de dizer verdades, teria ouvido verdades que teimo em dizer brincando. Falei como um palhaço mas jamais duvidei da sinceridade da platéia que sorria."

Charles Chaplin

sexta-feira, 16 de novembro de 2007

Reações químicas

Se é a atração que aproxima as pessoas, o que é que as mantém juntas? Seria trabalho duro e dedicação a um relacionamento, ou algo mais complexo? No fim, tudo se resume a química?

Ao fazer um paralelo com relacionamentos, talez achar aquele ingrediente especial muda a química do prato inteiro. Como se as pessoas fossem cozidos. Há alguém lá fora que melhora você. Buscamos sempre o ingrediente especial para nosso cozido.

Ok, mas você acredita que existe química entre duas pessoas? Algo que é mais do que atração. Aquilo que permanece depois de “sentir borboletas no estômago”. Talvez o que chamamos de “manter a chama”, mas um pouco além: um soltar faísca.

As boas e más notícias sobre a química é que nunca entenderemos como funciona. Todo relacionamento é uma experiência. Nunca se sabe exatamente o resultado. Algumas pessoas trazem à tona um lado seu que nem sabiam existir. Outras lembram que sua história não acabou. Outras se surpreendem. E de vez em quando você surpreende a si mesmo.
Embora todos os relacionamentos requeiram concessões, às vezes se consegue mais e não menos. E às vezes, não dá para conseguir mais. Às vezes o que tinha nunca voltará. embora seja doloroso, é preciso achar a força para seguir em frente. Continuar buscando o amor, buscando aquele ingrediente perfeito, não importa quão longe ou profundo tenha que ir para encontrá-lo.

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

Sapatos, essa paixão...

Não me considero nem de longe uma mulher exageradamente consumista, ao contrário, meu mote vai na linha do “less is beautiful”. E compartilho com as mulheres da minha geração um certo desdém de mentirinha em relação às vaidades femininas, só não consigo entender porque gosto tanto de sapatos...

Pausa nas questões relacionadas à ética e à moral, embora, se a gente entender que essas duas palavrinhas marotas precisam dar conta de todo o arco-íris das ações humanas, essa pausa, na realidade, seja só um desajeito de dizer...

E se até mesmo a omnicitada Clarice Lispector, uma das nossas figuras femininas mais interessantes, misturava sem vergonha nenhuma pura literatura e assuntos de “mulherzinha”, acho que ninguém vai reparar se eu tocar num dos mais típicos temas desse lado B que existe em toda mulher, não importa quão séria ela se julgue: os sapatos!

Toda vez que o problema da existência se resume em fazer caber numa mala tudo que é necessário para embarcar em um entreparênteses na vida. Enquanto um homem caminha pelo mundo com um tênis para a corrida sagrada das manhãs, um sapato preto para o terno, um mais esporte para todo o resto. Simples assim...

Sempre começo minha mala imbuída da mesma apreciação pelas bagagens leves...E nunca adianta. Vou parar do outro lado da passagem de avião – ou de carro, ou de trem, só que pior porque as regras das companhias aéreas para bagagens são um grande limitador do guarda-roupa do viajante – com uma sandália havaiana, caso alguém tenha tido a boa idéia de instalar uma piscina ainda que na estepe siberiana; um tênis, para o caso de eu achar mais divertido ir fazer ginástica ou correr em vez de perseguir museus e passear por lugares exóticos; um sapato confortável para peregrinações em geral; uma sandália para a mesma função, só que se fizer um súbito calor -- o clima, como todo viajante sensato sabe é imprevisível e nada impede que os finlandeses acordem um dia ensopados de suor, surpreendidos pelo azul impiedoso de um céu tropical--; um sapato preto para sair à noite, de salto alto; um outro, para o caso de eu não estar no “espírito sapato preto”; uma bota para cavalgar ondas de frio e combinar com a calça jeans; um chinelinho de quarto ou uma havaiana, de outra cor...nunca se sabe...

De onde será que vem esse nosso caso de amor com sapatos?

Simbolicamente os pés nos conduzem, marcam nosso caminho, deixam pegadas. Dizem que Buda, ao nascer, deu sete passos na direção de cada ponto cardeal, enquanto flores desabrochavam acompanhando seus passos. Então firmou os pés sobre terra, apontou para o céu e soltou seu “rugido de leão”. Essas primeiras pegadas de Buda (Buddhapada) até hoje são reverenciadas na Índia, marcam a presença dele na Terra.

Os deuses medem o universo com seus pés...Vishnu, o deus hindu da ordem, apresentou-se ao rei dos demônios como um pequeno anão. Pediu um pedacinho de terra, coisa pouca, apenas aquilo que ele pudesse percorrer em três passadas. O rei, gargalhando diante da humildade do anão, acedeu ao pedido. E então o homenzinho transformou-se no gigantesco deus que marcou toda a terra com um único passo e todo o céu com o segundo passo. Diante disso, o rei dos demônios ajoelhou-se em sinal de submissão, deixando que Vishnu pousasse o pé na sua cabeça ao dar o terceiro e último passo...

E as mulheres chinesas mutilaram os pés de suas filhas durante séculos para que eles ficassem minúsculos e praticamente dobrados ao meio. Você achava que era um sinal horrendo de submissão? Eu também, mas estudiosos não descartam a possibilidade da prática ter uma conotação mais sexual e a arte erótica chinesa, de fato, parece ter várias referências às possibilidades sensuais dos pés...

Para Freud também, os pés estão carregados de sensualidade. Seriam símbolos fálicos, que os homens reconhecem e associam ao alívio de alguma ansiedade relativa à castração (sim, a gente anda, anda e não resolve essa história de castração!?).

Nessa linha, os sapatos que os aconchegam os pés-fálicos seriam símbolos do feminino...e, com um pouco de imaginação, a gente até consegue entender porque pés e sapatos, sobretudo os de salto alto, são fetiches tradicionais, daqueles que aparecem em primeiro lugar nas listas dos mais votados, objetos poderosos, mágicos, capazes de evocar fantasias e memórias sabe-se la de que fundo de baú...

E tudo isso porque eu não conseguia decidir que sapato colocar na mala!Fetiches ou não, sapatos nos ajudam a pisar no mundo. Não são coisas da natureza, impostas, poderíamos perfeitamente bem ser uma espécie descalça. Mas, não, decidimos há eras longínquas agasalhar nossos pés. Pés são afimativos, são companheiros de caminho, escolhas...

Ontem, lendo o recém-chegado Como andar de salto alto, o guia da Cinderela moderna, da jornalista britânica Camilla Morton, fiquei apaixonada pela descrição que o criador dos mais cobiçados pares de sapatos do planeta faz de suas criações. Senhoras, com a palavra, Manolo Blahnik:

“Um bom salto escolhe você, e não o contrário. Não siga tendências, siga a si mesma – você precisa de um sapato que a deixa alta e emperdigada. Sempre fique com a sua primeira escolha, a mais instintiva. Ela é a escolha da sua alma. Você tem de escolher um sapato que a faça parecer ainda mais interessante e sentir-se ainda mais intrépida do que já se sente normalmente. Meus sapatos não têm nada a ver com moda – eles são estados de espírito e momentos querendo ser expressos.”

sexta-feira, 7 de setembro de 2007

Apontamentos sobre inteligência...emocional?

Disseram-me nesse feriado que eu sinto exatamente da mesma forma que eu penso. E que eu tenho dificuldades de aceitar que eu sou uma excessão à regra, que as pessoas "normais" sentem de um jeito e pensam de outro. Que pra mim isso é algo tão lógico que se tornava incompreensível...

Há cada vez mais dúvidas e mesmo frustração. Mas os otimistas continuam acreditando na construção de uma nova realidade, mistura de virtual e material. Com novas linguagens e novas formas de organização.

Sobreviverão os mais inteligentes. É assim desde que o homo é sapiens. Toda nova tecnologia alarga as fronteiras da inteligência. Sobrevivem os indivíduos capazes de criar e explorar as possibilidades de inovação. A inteligência evolui, mas também pode cair em muitos becos sem saída.

Não faltam opções: competitiva, coletiva, emocional e artificial, as inteligências se multiplicam, e cada pessoa precisa exercitar essa multiplicidade. Fala-se em tecnologias da inteligência. Além de sermos inteligentes, devemos mostrar que temos uma inteligência da inteligência, própria e alheia.

Na prática, imperam o ódio, a destruição e a irracionalidade em todo o mundo. Redescobrir a inteligência hoje é condição para a espécie humana sobreviver a si mesma.

O "penso, logo existo" não basta. O futuro é de quem refletir sobre essa idéia. Sem a inteligência da inteligência, não há evolução. No meu caso, eu penso e sinto (ou só sinto ou só penso, já que pra mim acontecem no mesmo nível), logo existo. Ah, essa é a minha única certeza, só não sei até quando! :)

quinta-feira, 28 de junho de 2007

And that's how it's done!!

Time que é favorito a um título faz assim: pode até jogar mal, mas entra em campo e esculacha o adversário.
Argentina 4 x 1 EUA

Lampejos de craque do Messi, oportunismo do Crespo e uma bela dose de sorte do Tevez por fazer gol logo que entrou. Enfim, como estampou o Ole em sua versão online, "Prueba superada".

Golpe de vista

Depois do jogo tosco de ontem entre Brasil x México, tive um papo hilário conjecturando o que seria o tal "golpe de vista".
Tudo suscitado, é claro, pela falha bizonha do Doni no segundo gol mexicano. Seria o tal golpe um olhar da mesma família do "Olhar 43", quase que dá uma chicotada na bola e ela se afasta?

Hum...

quarta-feira, 27 de junho de 2007

Os primeiros desafios

Acabou de começar a estréia da seleção brasileira na Copa América. México é o primeiro adversário.

Eu também tenho dois adversários agora:

1) aturar um jogo com o Vagner Love atuando
2) não receber habitual a ligação pós-jogo pra comentários

Ai, ai...ainda tenho a Copa América e o Brasileirão inteiros...

Sinto que seguir na vida seja simplesmente ir tocando em frente



"Ando devagar porque já tive pressa
E levo esse sorriso porque já chorei demais
Hoje me sinto mais forte, mais feliz, quem sabe
Eu só levo a certeza de que muito pouco eu sei
E nada sei"

segunda-feira, 25 de junho de 2007

Oh, metade adorada de mim, lava os olhos meus...


Hoje é o primeiro dia de uma nova vida. Uma vida sem uma parte adorada de mim, sem a metade afastada de mim.

Como disse uma amiga, ela tava pra ver pessoa de espírito mais inocente do que aquela. Inocência pueril, moleque da Zona Sul que ao invés de estudar, preferia jogar bola. Que ao invés de cuidar dos negócios do pai, preferia ir ver os jogos do Flamengo.

Esse mesmo moleque era capaz de deixar de lado possibiliades de crescimento profissional só pra poder prestar auxílio à mãe e à babá. Era quem madrugava pra conseguir o melhor lugar pra mim, ou o melhor pão. Era também quem rolava comigo no chão de tanto brincar. E no fim do dia, colocava pra eu escutar programas sobre futebol. Ele é o "culpado" pela minha paixão pelo Flamengo.

Se já chegaram à conclusão de que o universo é infinito, hoje eu chego de que a saudade também é. E da mesma forma que o universo, estamos sempre em evolução. Um dia, hoje essa saudade que corrói, vai se tornar uma doce e gostosa lembrança da pessoa que foi um dos responsáveis por me colocar no mundo. Por isso, eu posso afirmar que ele continuará vivo em mim, pra sempre. E depois, nos netinhos que ele não pode chegar a conhecer, nos bisnetos, etc etc etc.

"Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim."

Pai, você está ausente, mas não está em falta!

'Loção' x tradição! Batalha do século!

Cá estou eu, recém chegada de uma festa junina em Botafogo com mil observações fervilhando meu cérebro, mas ou eu sou muito purista ou o povo por aí tá muito sem loção. Só pra dar uma idéia:

  • Vestidos de chita com lacinhos se transformaram em micro shorts um número menor, blusa deixando aparecer muito mais do que o umbigo e um tamanco de madeira gigantesco.
  • Os chapéus com trancinhas agora são dispensados para poder mostrar a última chapinha.
  • As indefectíveis caixinhas de fósforos Olho para segurar o nó da gravata não são mais vistas.
  • As camisas xadrez viraram camisas de times de futebol.
  • Pé-de-moleque e maçã-do-amor foram substituídos por maria-mole e bananada.
  • Agora, além de salsichão e churrasquinho de gato, são oferecidas iguarias como kafta.
  • Forró e músicas de quadrilha eram a trilha sonora oficial. Hoje só ouvi axé e hip-hop.

Tenho certeza de que ainda lembrarei de mais itens. Mas poxa: se é pra fazer uma festa não tendo nada da tradição, porque esperar até junho para fazê-la? Não parece ser mais necessário chamá-la de festa junina. :-)

Em tempo: apesar dessas observações, foi muito legal ter ido. Comi meu salsichão anual (sem duplo sentido) e conheci várias pessoas legais.

São João, perdoai-vos! Eles não sabem o que fazem! ;-)




domingo, 24 de junho de 2007

Às vezes eu saio do sério!


JB, 17/06/2007


Não era bem assim que eu imaginava meus primeiros passos rumo à fama! :-P
A foto tá quase em tamanho real! hehehe Pena que tá ilegível assim....
Minha mãe ficou meio chocada com a declaração que dei dizendo que durante a TPM tenho instintos assassinos, que logo se transformam em crise de choro. E quando a fase passa, eu caio na gargalhada me lembrando. Acho que ela já está se recuperando do baque!

Ninguém quer subir escada - em 7 steps

Meu pai está há pouco mais de um mês no hospital. Isso, é claro, já é ruim por si só.
Pra tentar aliviar o cansaço da minha mãe que não quer deixá-lo sozinho, me deixar mais tranquila e deixá-lo se sentindo amparado, desde a internação venho buscando acompanhantes, apenas para passar a noite com ele.

Trabalho simples: ficar recostada ao lado, pode cochilar à vontade, dar saidinhas de vez em quando. A única responsabilidade é, caso se faça necessário, chamar algum enfermeiro. Além disso, a pessoa ainda pode jantar e tomar café por lá. Sem contar o Rio Card que dou, ainda rola aquela graninha. Graninha que sai limpa, pois a pessoa não tem gasto algum, não tem impostos incidindo, nada. Resumindo: o bico mais fácil possível. Eu mesma, se na minha época de estagiária, aceitaria algo assim só pra fazer um dinheiro a mais. Ainda teria tempo de ler as matérias pra faculdade.

Mas ai chega a minha surpresa: as moças que já passaram por lá aceitam sorridentes a proposta inicial sem titubear. Trabalham na primeira semana, recebem e depois simplesmente desaparecem! Uma delas ainda avisou do desaparecimento. Seu argumento foi: que a Bíblia diz que temos que ser recompensados de forma justa pelo trabalho que desempenhamos. Por que esse mesmo ser, na hora que eu fiz a primeira proposta não recusou ou negociou?

Indignação 1: ninguém encara como um bico, como um complemento de renda, ou qualquer coisa do tipo. Acham que é um emprego, a fonte de renda.
Indignação 2: querem tirar proveito de pessoas que estão notoriamente precisadas, cansadas, bla bla bla
Indignação 3: colocar religião como desculpa é no mínimo, muito feio.
Indignação 4: inventar uma passagem da Bíblia, profanando um livro que independente de religião, deve ser no mínimo respeitado é lamentável.
Indignação 5: colocar as palavras que quer dizer na boca de terceiros: como marido ou a Bíblia.
Indignação 6: por que aceitou?
Indignação 7: por que essas pessoas que se dizem tão temente a Deus só pensam no dinheiro que vão ganhar no fim do mês e por causa disso, nos deixam na mão. Cadê a compaixão? Isso eu sei que tá na Bíblia. Em tempo: não tô oferendo mixaria. Sei que não é o melhor salário do mundo, mas é o justo. Mesmo assim, aberta a negociação.

A conclusão é: nenhuma delas aceitou começar de baixo, o primeiro degrau não é suficiente. Quiseram tanto, sairam com nada. Ambição e ganância não são conceitos mais distinguíveis. E pensar que no meu primeiro estágio, eu comecei ganhando bem menos do que hoje ofereço a elas...

Na boa, o ditado antes só do que mal acompanhado é o que melhor retrata a situação do meu núcleo familiar.

quinta-feira, 21 de junho de 2007

Salud, campeón

"Por Joaquín Finat, enviado especial a Porto Alegre.
Los principales diarios del mundo se hicieron eco de la consagración de Boca en la Libertadores. Y llenaron de elogios a Román, la gran figura de la Copa. "Riquelme fue el rey Midas de la final", publicó As, mientras que para La Gazzetta dello Sport, el equipo de Russo ganó "gracias a un doblete del fantasista Riquelme". ¿En Brasil? Sólo lágrimas."

Fonte:
Ole

Como assim no Brasil só lágrimas? Eu estou linda e faceira, por demais sorridente pela vitória do Boca! Tá, descontemos que a nota é do Ole, o diário argentino mais parcial do universo (mas muito engraçado por sinal). Só que não tá com cheiro de locutor da Globo dizendo "o Grêmio é o Brasil na final da Libertadores"?

Que Brasil que nada! Eu sou Flamengo e nunca, mas nunca torceria por nenhum outro time numa final de campeonato, mesmo sendo contra um time argentino. Aliás, sendo o Boca Junior, eu nunca torceria contra, pois mudei minha concepção de torcida depois que assisti a um jogo no La Bombonera. Simplesmente fantástico!

Adorei o fato do Grêmio ter perdido, adorei que o Riquelme arrebentou. E só fiquei imaginando dos meus culeguinhas de trabalho, torcedores apaixonados do River cheios de dor de cotovelo na manhã de Buenos Aires!

E em homenagem ao Boca um tango! Mas não um qualquer: "Por una Cabeza" dançado pelo Al Pacino em "Perfume de Mulher".

"É apenas com o coração que se pode ver direito; o essencial é invisível aos olhos"

Big (?) Opening?

Depois de ficar fã do "Homem é tudo Palhaço", do "Musa de Caminhoneiro" e do "Reviews do Rapha" e de ficar saudosa do tempo que eu mesma tinha um blog, me convenci a me aventurar novamente nessa brincadeira!

Aviso aos navegantes:
Às vezes serei engraçadinha, às vezes mal humorada, às vezes pensativa. Vai depender do estado de espírito, do que eu possa estar com vontade de colocar pra fora, ou mesmo do sol. :-)
Sem temas pré-definidos. Às vezes, a vontade pode ser só de um pouco de retórica mesmo. Ou de dividir algo legal que vi em algum lugar.

Bem-vindos!